Apresentação
O propósito deste Website sobre Monteiro Lobato é informar diversas coisas sobre sua vida e carreira com um foco mais especial no livro "Negrinha" que diferente de suas obras sobre o Sitio do Picapau Amarelo é voltada a contos com tematicas mais adultas como Tragédia, Preconceito e até suspense retratando muita das suas ideias e sua capacidade de criar historias que verdadeiramente instigam a atenção do leitor.
O escritor paulista Monteiro Lobato (1882-1948) é um autor emblemático da literatura infantil brasileira por suas obras Reinações de Narizinho, Caçadas de Pedrinho e O Picapau Amarelo. Antes delas, já era reconhecido por sua obra obra-prima, Urupês, coletânea de contos e crônicas publicada originalmente em 1918 e que alcançou grande sucesso editorial.
Lobato foi uma figura polêmica pelos debates e denúncias em que se envolveu em seu tempo (inclusive na atualidade). Um de seus personagens mais famosos, o Jeca-Tatu, por exemplo, causou surpresa ao romper com o estereótipo romantizado do homem interiorano. O Jeca, de Lobato, era um caipira preguiçoso, caboclo mulato “a vegetar, de cócoras, incapaz de evolução e impenetrável ao progresso” e cuja única ação era “votar no governo” – a figura se tornou símbolo do atraso e da miséria do interior do país.
Para os modernistas de 1922, Lobato era um reacionário, especialmente pela sua veemente crítica em “Paranoia ou Mistificação” contra a pintura de Anita Malfatti. Entretanto, Oswald de Andrade admirava o autor de “Urupês”.
Lobato era um nacionalista convicto, a favor de uma arte devidamente brasileira, autóctone, criada aqui. Sua obra denunciava as mazelas da sociedade. Renovou a linguagem utilizando termos regionais e retratando costumes populares. Para os especialistas, a obra de Lobato é classificada de literatura pré-modernista.
Lobato inovou também como editor. Em uma época em que os livros brasileiros eram editados em Paris ou Lisboa, ele fundou sua própria editora, a Monteiro Lobato & Cia., depois chamada Companhia Editora Nacional. Lançou livros inéditos, traduções de clássicos da literatura, manuais didáticos e obras infantis. Sua visão editorial garantiu o sucesso do negócio. Despertava o interesse dos leitores com capas coloridas e atraentes, ilustrações internas e uma produção gráfica impecável. Criou uma política de distribuição, novidade na época: vendedores autônomos e distribuidores espalhados por todo o país levavam os livros às capitais e cidades menores.
Para saber mais sobre esse renomado autor, siga para os proximos topicos e esperamos que ao final do site o leitor saia bem informado sobre sua vida, obras, influência seus pensamentos, caso isso tenha despertado seu interesse é possivel ler o conto Negrinha em nosso site.
Sua Vida
Monteiro Lobato (1882-1948) foi um escritor e editor brasileiro. "O Sítio do Pica-pau Amarelo" é sua obra de maior destaque na literatura infantil. Criou a "Editora Monteiro Lobato" e mais tarde a "Companhia Editora Nacional". Foi um dos primeiros autores de literatura infantil de nosso país e de toda América Latina.
Ao lado da literatura infantil, Monteiro Lobato também deixou extensa obra voltada para o público adulto. Retratou os vilarejos decadentes e a população do Vale do Paraíba, quando da crise do café. Situa-se entre os autores do Pré-Modernismo, período que precedeu a Semana de Arte Moderna.
Ao lado da literatura infantil, Monteiro Lobato também deixou extensa obra voltada para o público adulto. Retratou os vilarejos decadentes e a população do Vale do Paraíba, quando da crise do café. Situa-se entre os autores do Pré-Modernismo, período que precedeu a Semana de Arte Moderna.
Lobato foi também jornalista, tradutor e empresário. Fundou a Companhia Petróleo do Brasil, à qual se dedicou por dez anos.
Monteiro Lobato nasceu em Taubaté, São Paulo, no dia 18 de abril de 1882. Era filho de José Bento Marcondes Lobato e Olímpia Monteiro Lobato. Alfabetizado pela mãe, logo despertou o gosto pela leitura, lendo todos os livros infantis da biblioteca de seu avô o Visconde de Tremembé.
Desde criança, Monteiro Lobato já mostrava seu temperamento irrequieto e aos 10 anos escandalizou sua família, tradicionais fazendeiros do Vale do Paraíba e amigos do Imperador Pedro II, quando se recusou a fazer a primeira comunhão.
Monteiro Lobato fez seus primeiros estudos em sua cidade natal. Em 1896, com 14 anos, foi estudar em São Paulo no Instituto de Ciências e Letras. Em 1898 ficou órfão de pai e logo em seguida, perdeu sua mãe, ficando aos cuidados do avô. que em 1911 tambem veio á falecer deixando como herdando a fazenda Buquira para onde se mudou pretendendo ser fazendeiro. Começou a escrever o conto “O Boca Torta” que seria o primeiro de uma série que mais tarde foram reunidos sob o nome de Urupês.
Ao nascer, Lobato foi registrado com o nome de José Renato Monteiro Lobato, mas após a morte do pai, em 13 de junho de 1898, queria usar a bengala que pertencera ao pai e tinha as iniciais J.B.M.L. gravadas no topo do castão. Por isso, resolveu mudar de nome para que suas iniciais ficassem iguais as do pai e desde então passou a se chamar José Bento Monteiro Lobato
Lobato escrevia também para o jornal da faculdade, quando já mostrava sua preocupação com as causas nacionalistas. Na festa de formatura, em 1904, fez um discurso tão agressivo que vários professores, padres e bispos se retiraram da sala. Nesse mesmo ano voltou para Taubaté. Prestou concurso para a Promotoria Pública, assumindo o cargo na cidade de Areias, no Vale do Paraíba, no ano de 1907.
Monteiro Lobato casou-se com Maria Pureza da Natividade em 28 de março de 1908. Com ela teve quatro filhos, Marta (1909), Edgar (1910), Guilherme (1912) e Rute (1916).
No dia 12 de novembro de 1912 foi publicado no jornal O Estado de São Paulo uma carta que Monteiro Lobato havia enviado à redação, intitulada Velha Praga, que causou grande polêmica, pois criticava as queimadas, a ignorância e a miséria do caboclo que prejudicavam o desenvolvimento da agricultura na região.
Em 1917 vendeu a fazenda e foi morar em Caçapava, quando fundou a revista "Paraíba". Nos 12 números publicados, teve como colaboradores Coelho Neto, Olavo Bilac, Cassiano Ricardo entre outras importantes figuras da literatura.
Nesse mesmo ano, comprou a Revista do Brasil, de programa nacionalista, tornou-se editor e publicava seus artigos. Transformou a revista em um núcleo de defesa da cultura nacional.
No dia 20 de dezembro de 1917, Lobato publicou no jornal O Estado de São Paulo, um artigo intitulado Paranoia ou Mistificação?, quando criticou os quadros de Anita Malfatti, pintora paulista recém-chegada da Europa, o que lhe custou a ruptura com os líderes da Semana de Arte Moderna.
Em 1918, Monteiro Lobato publicou sua primeira coletânea de contos, Urupês, quando traçou a paisagem das cidades por onde passou e o perfil do Jeca Tatu um caipira apontado pela pobreza, pelo marasmo e pela indolência, que o tornava incapaz de auxiliar na agricultura.
Entusiasmado com o sucesso de Urupês, em 1919, Monteiro Lobato fundou a Editora Monteiro Lobato, a primeira editora nacional, através da qual publicou seus primeiros livros infantis.
Em 1921 publicou "Narizinho Arrebitado", que depois passaria a chamar-se “Reinações de Narizinho”. Em seguida publicou “Saci” (1921) e “O Marquês de Rabicó” (1922).
As obras infantis fizeram grande sucesso, o que levou o autor a prolongar as aventuras de seus personagens em outros livros girando todos ao redor do "Sítio do Pica-pau Amarelo".
Em 1924, a Revolução Paulista levou sua editora à falência. Depois de vender tudo, Lobato e o amigo Octalles fundaram outra editora só para imprimir livros didáticos: a “Companhia Editora Nacional". Mudou-se então para o Rio de Janeiro.
A figura do Jeca Tatu, descrita por Monteiro Lobato, chamou a atenção de Rui Barbosa que o citou em um discurso na campanha presidencial de 1918, como um protótipo do caipira brasileiro, abandonado à miséria pelos poderes públicos.
A obra se tornou famosa e a polêmica sobre a veracidade da figura do Jeca Tatu, se espalhou por todo o país. Para alguns, fiel e para outros exagerada. Na quarta edição do livro, Lobato pediu desculpas ao homem do interior.
Em 1927, Lobato foi nomeado, por Washington Luís, adido cultural do Brasil nos Estados Unidos. O grande progresso industrial que observou levou-o a desejar o mesmo para o Brasil. Em 1931 Monteiro Lobato retornou ao Brasil e no ano seguinte publicou suas impressões sobre a viagem aos Estados Unidos em “América” e deu início à fundação de uma companhia nacionalista pela produção de ferro e petróleo. Fez várias conferências e insistiu na existência de petróleo no subsolo brasileiro, mesmo que os técnicos estrangeiros afirmassem o contrário.
Contra as pretensões empresariais de Monteiro Lobato erguiam-se interesses poderosos e a "Itabira Iron" defendia para si o monopólio do ferro brasileiro e procurava a qualquer custo forçar o governo a lhe assegurar o privilégio. Na defesa de suas empresas, Lobato resolveu reunir todos os fatos e em 1936 publicou: “O Escândalo do Petróleo e do Ferro”.
Ao fim de 10 anos de luta, em 1941, em plena ditadura Vargas, por seu ataque ao Conselho Nacional do Petróleo, Lobato foi condenado pelo Tribunal de Segurança Nacional a seis meses de prisão, porém cumpriu apenas metade da pena. Politicamente perseguido, Monteiro Lobato mudou-se para a Argentina onde viveu por um ano. Em 1947 regressou ao Brasil.
Faleceu em São Paulo, no dia 5 de julho de 1948, de problemas cardíacos. Em sua homenagem, no dia 18 de abril, dia do seu nascimento, é comemorado “O dia Nacional do Livro Infantil”.
Cronologia
- 1882
- 1900
- 1908
- 1918
- 1918
- 1927
- 1936
- 1939
- 1941
- 1948
Negrinha
O conto Negrinha, de Monteiro Lobato, é narrado em terceira pessoa, e impregnado de uma carga emocional muito forte. O conto se mostra atual ao denunciar a violência contra a criança, notadamente a negra. Negrinha é um livro de contos ficcional escrito por Monteiro Lobato, publicado em 1920. O livro era constituído na primeira edição apenas pelos contos Negrinha, Fitas da Vida, O drama da geada, O Bugio moqueado, O jardineiro Timóteo e O colocador de pronomes. Muitos consideram que neste livro estão os melhores contos escritos por Lobato. Sem dúvida são os mais emotivos e que mais agradaram ao público. Alguns contos foram escritos antes de sua viagem aos Estados Unidos, outros depois do retorno. O livro contém verdadeiras preciosidades no tratamento do idioma e os personagens são mais urbanos e mais mundanos que os dos livros anteriores. “Aqui encontramos um painel que vai da farsa à tragédia, do sarcasmo à compaixão, passando pelo drama pungente da filha de uma ex-escrava.”
Negrinha foi publicado no livro do mesmo nome em 1920. O conto denuncia os bastidores da sociedade patriarcal colocando, lado a lado, farsa e sarcasmo, tragédia e compaixão. É uma forte crítica à mentalidade escravocrata da sociedade brasileira que persistia três décadas depois da abolição.
O conto narra o drama de uma criança órfã, de sete anos,filha de uma ex-escrava e chamada pela alcunha Negrinha. A menina não tem nome, lhe é negada uma identidade individual e social. Mas carrega apelidos perversos que a mimoseavam, na linguagem sarcástica de Lobato. Como bem define Bignotto: “Negrinha não tem nome – tem apelido; não tem família – tem dona, que não cuida dela; não tem cor definida – é mulatinha escura; não tem lugar dentro da cozinha, dentro da casa, dentro da sociedade. Não é à toa que parece ‘um gato sem dono’ – sua condição é quase a mesma de um animal. “Aprendeu a andar, mas quase não andava”.
Em contrapartida, a senhora tem nome, título e posição social – dona Inácia. Excelente senhora, a patroa. Gorda, rica, dona do mundo, mimada dos padres, com lugar certo na Igreja e camarote de luxo reservado no céu – descreve Lobato.
A narrativa passa-se em um tempo qualquer, poucos anos depois da abolição como se pode inferir no trecho: Nascera na senzala, de mãe escrava. Mais à frente, Lobato lembra o tempo sem explicitá-lo: Nunca se habituara ao regime novo – essa indecência de negro igual a branco e qualquer coisinha: a polícia! O 13 de Maio tirou-lhe das mãos o azorrague. Talvez seja mais uma denúncia subliminar de Lobato: preconceito e racismo não têm tempo, são atemporais.
O conto permite reflexões e debates em sala de aula sobre uma série de temas: preconceito, racismo, desigualdade social, mentalidade escravocrata, maus-tratos à infância, padrão de beleza, a importância e o direito de brincar (garantido, inclusive pelo Estatuto da Criança e do Adolescente). Pode servir, também, de ponto de partida para a discussão do bullying dentro de fora da escola.
Uma outra maneira de trabalhar o conto em sala de aula é pedir aos alunos para recriarem o final, isto é, darem um outro destino a Negrinha. Imaginar que atitude a menina poderia ter depois de se conscientizar “que tinha uma alma”. As respostas dos alunos podem ser surpreendentes!
Outras Obras
Cerca de metade das histórias criadas por Lobato foram dirigidas ao público infantil. As aventuras passadas no sítio do Picapau Amarelo atravessaram gerações e marcaram o imaginário coletivo. Muitas dessas produções literárias do autor foram adaptadas para o cinema, o teatro e a televisão.
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Sobre da Obra
Em O picapau amarelo os personagens do mundo real (como dona Benta, Narizinho, Pedrinho e a avó), convivem com criaturas fantásticas como princesas, fadas e personagens importantes da nossa cultura.
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Sobre a Obra
O primeiro livro infantil publicado por Monteiro Lobato foi A menina do narizinho arrebitado, lançado em 1921, que alcançou a impressionante marca de 50 mil livros vendidos. Depois dele vieram outros títulos infantis que, em 1931, foram reunidos num único livro.
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Sobre a Obra
A obra infantil apresenta para as crianças um dos mais importantes personagens da cultura nacional: o saci pererê. O menino negro de uma perna só, cheio de energia, provoca a curiosidade especialmente em Pedrinho, que segue as pistas dadas pelo tio Barnabé para conhecer a criatura mítica no meio da floresta.
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Sobre a Obra
A obra infantil mistura ficção e realidade e apresenta o conflito para as crianças através do olhar de Emília. A jovem boneca de pano deseja encontrar a casa das chaves para poder desligar a chave da guerra e assim salvar uma série de pessoas.
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Sobre a Obra
Tia Nastácia era uma empregada negra que vivia no sítio do Picapau amarelo e que sempre tinha muita sabedoria popular para partilhar. O livro, publicado em 1937, reúne 43 contos que são narrados por ela
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Sobre a Obra
Monteiro Lobato relembra uma série de histórias clássicas no seu livro de fábulas, onde faz uma releitura dos grandes clássicos infantis. O escritor brasileiro retoma, por exemplo, as fábulas de Esopo e La Fontaine recontando e adaptando para o público brasileiro as ricas fábulas.
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Sobre a Obra
Caçadas de Pedrinho conta as aventuras do menino corajoso na região do sítio do Picapau amarelo. Depois de encontrar pegadas na região, o jovem garoto convoca os amigos para irem à procura do animal feroz que anda às voltas do sítio.
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Sobre a Obra
A obra Ideias de Jeca Tatu reúne 35 textos - a maior parte deles publicados em jornais e revistas - e tem como traço comum o sentimento nacionalista que movia o escritor. Em muitos desses ensaios vemos um Monteiro Lobato provocador, polêmico, que contestava, por exemplo, a modernização da arte brasileira.
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Sobre a Obra
Nessa obra infantil centrada na boneca de pano Emília lemos uma série de reflexões filosóficas que são adaptadas para o vocabulário infantil.